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Menopausa
Ortodoxamente,
a menopausa é tratada como uma doença, o que ela não
é. Os sintomas desagradáveis que a acompanham são
apenas o resultado de hábitos errados que a mulher teve no decorrer
de sua vida. Eles são resultado das variações hormonais
que ocorrem neste período natural da vida de toda mulher. Os alimentos
têm grande influência no comportamento destes hormônios
e podem ajudar na prevenção e no tratamento dos sintomas
da menopausa.
Como
os Hormônios Funcionam
O
cérebro mantêm controle constante dos níveis hormonais
no sangue. Se for necessário fazer mais, ele manda um comando para
o órgão responsável para que este secrete o hormônio.
Para as mulheres, este comando vai para os ovários, onde são
produzidos os hormônios estrógeno e progesterona. O estrógeno,
na verdade, não é um único hormônio, este é
o nome dado a um grupo de hormônios que controlam vários
aspectos do organismo de uma mulher. Porém, suas características
são muito similares e por isto é costume referir-se a eles
como um grupo pelo único nome estrógeno.
Todo mês, durante o período reprodutivo da vida de uma mulher,
tem início o que é chamado de ciclo menstrual. No início
do ciclo, os ovários começam a secretar estrógeno,
o que faz com que a parede do útero engrosse na expectativa de
uma possível gravidez. Após cerca de duas semanas, ocorre
a ovulação. Um dos ovários "solta" um óvulo,
que segue em direção ao útero. O espaço no
ovário que era antes ocupado pelo óvulo começa a
produzir progesterona, outro hormônio. Progesterona significa, de
forma bruta, "promotor de gestação".
A progesterona começa a fazer planos para a gravidez, enchendo
a parede do útero com vasos sangüíneos que sejam capazes
de nutrir um feto em crescimento. Se o óvulo for fecundado, o ovário
continua a produzir progesterona, o que sustenta a gravidez. Se o óvulo
não for fecundado, o ovário para de produzir progesterona
e a parede do útero perde a camada que viria a proteger o feto
(menstruação). No mês seguinte, o processo começa
outra vez.
O estrógeno é o responsável pelas mudanças
físicas que ocorrem em meninas na puberdade. Ambos hormônios
(estrógeno e progesterona) também influenciam no fortalecimento
dos ossos.
Durante o ciclo menstrual, os níveis hormonais variam muito. As
cólicas e outros sintomas sentidos durante a menstruação
são resultado direto das variações hormonais. Se
o nível de estrógeno circulante de uma mulher é muito
alto, significa que este deverá cair muito para atingir o nível
necessário durante o período de baixa. Quanto mais alto,
maior o tombo. E é este "tombo" que causa os desconfortos
característicos. E quando uma mulher chega à menopausa,
seus níveis de estrógeno caem ainda mais violentamente.
É então que se manifestam os calores.
Sob as tumultuadas mudanças nos níveis hormonais, os ossos
perdem sua força, o humor se torna instável e os outros
sintomas característicos tomam conta . Mas as evidências
mostram que mulheres melhores adaptadas a níveis mais baixos de
estrógeno têm períodos menstruais mais suaves ou sem
qualquer sintoma e uma menopausa igualmente tranqüila.
Como Controlar os Hormônios
Um
dos fatores que mais influencia os níveis de estrógeno no
organismo da mulher é a alimentação. Mulheres que
adotam dietas tipicamente ocidentais têm níveis hormonais
muito elevados durante os anos reprodutivos e, conseqüentemente,
uma grande queda destes níveis na menopausa. Como resultado, sua
perda óssea é mais severa, seus calores mais freqüentes
e intensos e todos os outros sintomas mais agravados quando comparados
aos sintomas de mulheres que adotam uma dieta baseada em produtos de origem
vegetal. O risco de desenvolver câncer de mama e outros cânceres
relacionados a hormônios também é aumentado para mulheres
que adotam hábitos alimentares baseados em produtos de origem animal.
Um exemplo que ilustra bem o impacto que a dieta têm sobre os níveis
hormonais é a evolução da idade da menarca (primeira
menstruação) ao longo da história. Hoje em dia, nos
países ocidentais, a menarca ocorre, em média, aos 12,5
anos. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram
que em 1850 a menarca ocorria aos 17 anos. Neste tempo, as dietas eram
compostas por uma maior porção de produtos vegetais e uma
menor porção de produtos animais.
É claro que naquela época também haviam pessoas que
consumiam grandes quantidades de produtos animais, porém estes
hábitos eram restritos às classes mais abastadas e não
representavam a maioria da população, não influenciando
estes dados estatísticos. Hoje em dia, os fast-foods, açougues
e churrascarias são universais, garantindo uma situação
bem diferente daquela de um século e meio atrás.
Reduzir o consumo de gorduras ajuda a regularizar os níveis hormonais.
Uma mudança alimentar de 40% de gorduras (média de uma dieta
ocidental) para 20% (dieta sem produtos animais), reduz os níveis
de estrógeno em cerca de 17%, de acordo com o National Cancer Institute.
Além disto, as fibras também têm um papel importante
na regulação hormonal. As fibras só podem ser encontradas
em produtos de origem vegetal. Elas não estão apenas no
cereal matinal, elas são aquela parte de qualquer produto vegetal
que resiste à digestão, seja este um arroz integral, uma
alface, ou um feijão. Nenhum produto animal contém um grama
sequer de fibra.
A fibra atua da seguinte forma: O fígado retira os hormônios
da corrente sangüínea e os envia ao trato digestivo por via
da vesícula biliar, na esperança de que eles lá encontrem
fibras que possam levá-los para fora do organismo. Se sua dieta
é constituída por cereais, leguminosas, vegetais e frutas,
estes hormônios serão levados ao seu destino: para fora do
organismo. Se, ao contrário, sua dieta é composta por produtos
animais (carne, leite e ovos), estes hormônios serão enviados
pelo fígado ao trato digestivo somente para serem reabsorvidos
pelo intestino mais à frente.
Quanto mais produtos vegetais você incluir em sua dieta, mais fibras
esta terá. Porém, uma quantidade ótima de fibras
só pode ser ingerida com o abandono de todos os produtos animais
(dieta vegetariana). Uma lasanha de presunto e queijo, mesmo contendo
o trigo da massa, fornece uma quantidade insignificante de fibras, pois,
além do único produto vegetal nela contido ser pouco em
relação aos outros, este ainda foi refinado, removendo assim
suas fibras.
Reciclar é bom. Porém, quando se trata de hormônios
a história é diferente. Adotar uma dieta vegetariana facilmente
dobra a o consumo de fibras e dramaticamente reduz a ingestão de
gorduras.
Uma dieta vegetariana tem efeitos ainda mais surpreendentes. Ela aumenta
a quantidade das proteínas carreadoras dos hormônios sexuais
no sangue. Estas proteínas agem "segurando" os hormônios
até que estes sejam necessários. Sem elas, os hormônios
circulam livremente no sangue, mesmo que estes estejam em excesso. Alguns
alimentos têm efeitos especiais. A soja e seus produtos, tais como
o tofú (queijo de soja), contêm fitoestrógenos, que
são estrógenos vegetais muito fracos. Eles tomam o lugar
dos estrógenos normais nos receptores celulares. O resultado é
uma redução na atividade do estrógeno normal e, aparentemente,
um menor risco de câncer.3
Com todas estas evidências, não é de se surpreender
que os vegetarianos tenham níveis mais baixos de hormônios
em comparação àqueles que consomem carnes, laticínios
e ovos.3 Isto não significa que eles sejam deficientes, eles apenas
estão em melhor equilíbrio, evitando assim os desconfortos
causados pela menstruação e menopausa.
Menopausa
Quando
uma mulher atinge cerca de 50 anos de idade, os ovários param de
produzir estrógeno. As glândulas supra-renais (localizadas
em cima dos rins), continuam a produzir estrógeno, bem como continua
o tecido adiposo. Mas os ovários foram, por décadas, os
principais produtores de estrógeno e, quando sua produção
pára, há uma queda dramática nos níveis sangüíneos
de estrógeno.
Para muitas mulheres, esta mudança é tênue, ambas
física e psicologicamente. Para algumas, porém, a transição
da fase reprodutiva da vida para a não-reprodutiva não acontece
de forma tão sutil, sendo afligidas por uma lista de sintomas:
calores, depressão, irritabilidade, ansiedade, falta de ar, tontura,
fadiga, problemas digestivos, pele sensível, lapsos de memória,
ausência de umidade vaginal, dores musculares e articulares, e enrijecimento
dos seios.
O
Preço da Suplementação Hormonal
Quando
estes sintomas começam a se manifestar, a mulher geralmente procura
um médico, o qual mais que geralmente a prescreve hormônios.
Estes vão livrá-la dos calores e reduzir sua perda óssea
e seu risco de infarto. Porém, para livrar-se destes sintomas e
riscos, é necessário pagar um preço que vai além
do preço da consulta. Risco de derrame, coágulos, câncer
uterino e de mama e retenção de líquidos são
alguns dos números na conta à pagar.
Mulheres que já viram amigos ou parentes morrerem de câncer
ou derrame podem não achar esta uma boa troca: os sintomas da menopausa
por tantos riscos. Mas, como esta é a única alternativa
oferecida pelo médico, ela se torna uma imposição
para aquelas que desejam ter o problema solucionado, uma vez que uma alternativa
só é uma alternativa quando existe mais do que uma opção.
Caso contrário é uma imposição.
Mas sim, no mundo real, além dos consultórios médicos,
o uso de hormônios é apenas uma das alternativas. Existem
mudanças na alimentação e na atividade física
que podem tornar os sintomas da menopausa muito mais suaves. Além
disto, existem também preparações hormonais naturais
que podem ajudar. Estes passos são melhores para seu coração
e ossos do que as prescrições hormonais e os resultados
são obtidos sem os efeitos colaterais das pílulas de hormônios.
Os suplementos de estrógeno podem ter sérios efeitos colaterais.
Eles são particularmente perigosos para mulheres com disfunções
na coagulação, sangradura vaginal não-diagnosticada,
doença hepática, ou uma história de câncer
de mama pessoal ou familiar.
Eles aumentam o risco de câncer de útero e de mama e tornam
os cânceres já existentes mais agressivos. O risco de câncer
de útero é aumentado em quatro a oito vezes. Quanto mais
forem utilizados, maior o risco.5 O câncer de mama, que já
é extremamente comum, tem seu risco aumentado em trinta a oitenta
por cento em mulheres que utilizam-se de pílulas de estrógeno.
O risco aumentado de câncer uterino é removido com a adição
de suplementos de progesterona. Porém, estes não tem qualquer
efeito para combater o risco aumentado de câncer de mama. Algumas
versões têm ainda mais efeitos colaterais, podendo causar
enrijecimento dos seios e retenção de líquidos, além
de agravarem a depressão.
Os suplementos de estrógeno também aumentam o risco de coágulos
sangüíneos e problemas vesiculares e podem causar pressão
alta, cálculos biliares, sangradura vaginal, náusea, ganho
de peso, enrijecimento das mamas, descolorações da pele,
dores-de-cabeça e depressão.
Com tantos riscos e efeitos colaterais, por que os médicos prescrevem
estes hormônios? Em parte, é porque este é o único
recurso que eles têm à mão. Eles aliviam os sintomas
da menopausa e desaceleram a taxa de deterioração óssea,
além de diminuírem o risco de doenças do coração.
Porém, os benefícios relacionados ao estado da massa óssea
não são nenhuma maravilha. Mudanças dietéticas
têm um poder insuperável com este respeito.
O risco de doenças do coração é diminuído
em cinqüenta por cento ou mais entre as usuárias de suplementos
de estrógeno. Com este respeito, as mudanças dietéticas
também são insuperáveis. Uma dieta vegetariana, atividade
física moderada, abstenção de fumo e redução
de estresse não só previnem doenças cardiovasculares
como também são capazes de reverter as mesmas. A suplementação
hormonal não chega nem próxima dos benefícios trazidos
por tais mudanças alimentares e de estilo de vida, além
de trazerem sérios efeitos colaterais.
Outra parte do motivo pelo qual os médicos insistem em prescrever
tais suplementos é sua falta de familiaridade com o uso de técnicas
não-medicamentosas, o que é ainda agravada pela propaganda
feita pelos fabricantes dos hormônios para incentivar seu uso.
O
Que Fazer
Como
já vimos, os sintomas que virão a afligir uma mulher na
menopausa podem ser controlados de forma preventiva através da
dieta, pois esta tem influência direta sobre os níveis hormonais,
aumentando-os (com gordura em excesso e deficiência de fibras) ou
normalizando-os (com a adoção de uma dieta vegetariana,
que naturalmente reduz a ingestão de gorduras e aumenta a ingestão
de fibras).
Porém, para aquelas mulheres que já chegaram à menopausa,
estas mudanças alimentares preventivas não estão
mais em tempo de atuarem como tais. Mas, não surpreendentemente,
as mesmas mudanças de hábitos alimentares também
ajudam de forma a amenizar os sintomas da menopausa mesmo que estes já
tenham sido iniciados. Além de mudanças alimentares, existem
outros passos que uma mulher pode tomar para enfrentar a menopausa de
forma mais suave, sem que sua saúde seja comprometida, como a atividade
física.
Uma
Melhor Opção
Contudo,
algumas mulheres pensam apenas nos efeitos imediatos do tratamento, como,
por exemplo, livrar-se dos calores, não dando importância
aos riscos decorrentes mesmo quando estes são trazidos a seu conhecimento.
A transição para uma dieta vegetariana está coberta
de evidências que mostram uma melhora nos sintomas. Mas, a melhor
evidência é oferecida por experiência própria,
cabe à mulher apenas experimentar. Além disso, exercícios
aeróbicos, como uma caminhada a cada um dia ou dois, aliviam os
calores.
Para aquelas mulheres que estão considerando suplementação
hormonal, algumas preparações são mais seguras que
outras. Os suplementos de estrógeno comumente prescritos por médicos
contêm quantidades significativas de estradiol, que é uma
das formas de estrógeno que mais preocupa com relação
a câncer. Um estrógeno diferente, o estriol, parece ser mais
seguro. As evidências indicam que o estriol não aumenta o
risco de câncer.
Cremes produzidos a partir de fontes vegetais contendo estriol e menores
quantidades de outros estrógenos estão disponíveis.
Os estrógenos são absorvidos através da pele e chegam
à corrente sangüínea, reduzindo os sintomas da menopausa,
especialmente os calores. Não há nenhuma evidência
de que o uso de cremes hormonais, preparados de forma natural (derivados
de plantas), aumente o risco de câncer. Portanto, os suplementos
hormonais de estrógeno, apesar de aliviarem os sintomas da menopausa,
trazem muitos riscos à saúde. Cremes produzidos a partir
de fontes vegetais contendo estriol e menores quantidades de outros hormônios
também ajudam no controle dos sintomas da menopausa.
Mais importantemente, mudanças alimentares (dieta vegetariana)
e de estilo de vida (atividade física, abstenção
de fumo e álcool) atingem o mesmo objetivo sem os riscos atibuídos
aos suplementos orais.
Follingstad, A. H. Estriol, the forgotten estrogen? Journal of the American
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George S. G. Guimarães
20 de Janeiro de 1997
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