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E ele não está sozinho, pois esse estilo de vida conquista cada vez mais adeptos. Rogério Cintra da Silva, de 19 anos, é vegan há sete meses. "Primeiro, pela libertação animal; depois, pela saúde", conta. Cintra conhece cerca de trinta pessoas vegans, seis delas na região onde mora, Barueri. Dimitri de Almeida, de 18 anos, decidiu largar de vez o hábito de comer carne há um ano e dois meses. "Conheci o tratamento dado aos animais para a produção de carne e leite. Vi fotos, assisti a vídeos e conversei com amigos", diz, explicando o porquê de sua decisão. Mesmo assim, Almeida convive com pessoas de estilos de vida variados. Na família, por exemplo, ninguém é vegan. "Eles entendem que é uma ética que também deveria ser levada por eles. Minha mãe tenta experimentar alguma coisa da dieta vegan", conta. Juliana Prado Rocha, de 21 anos, ainda tem um pouco de dificuldade para fazer a família entender. Vegan há um ano e nove meses, ela mora com os pais e dois irmãos e prepara a própria comida. "No começo, minha mãe tentava colocar frango no meio da sopa", diz, Juliana. "Agora já está mais amigável." A família de Juliana também come os pratos que ela prepara, como carne de soja refogada, lasanha de legumes e bolo sem leite e ovos. Bares e Restaurantes - O que se percebe na opinião quase unânime dos vegans é o descontentamento com os bares e restaurantes - o que acabava gerando falta de interesse em freqüentá-los. Juliana, que era vegetariana antes de optar pelo estilo de vida vegan, já tinha dificuldades para comer em restaurantes. "Depois que me tornei vegan, nunca mais fui. Não confio. De repente, eles podem acrescentar alguma coisa errada nas receitas", explica. Há quem seja ainda mais cuidadoso. Rogério Cintra, além de não comer em restaurante, não almoça na casa de pessoas que não são vegans. "Acham que é frescura e não respeitam", conta. Para Christopher Silva, que também não vai a restaurantes, há um só argumento: "Nem sempre os cozinheiros sabem o que é ser vegetariano. Não sei o cuidado que eles têm com o preparo da comida", explica. Selo nutriVeg amplia mercado para bares e restaurantes Foi pensando em dar opções de lazer e assegurar alternativas confiáveis para o dia-a-dia de quem adota uma dieta alimentar restrita - como os vegetarianos e os vegans - que o nutricionista, também vegan, Dr George Guimarães, criou o Selo nutriVeg, da empresa de consultoria em nutrição vegetariana nutriVeg. O selo identifica pratos vegans, lacto-vegetarianos e ovo-lacto-vegetarianos nos cardápios de bares, hotéis e restaurantes. "O Selo nutriVeg nasceu da constatação de que existe uma grande demanda por pratos vegetarianos e da dificuldade em identificá-los nos cardápios", diz. Considerando que 10% dos turistas estrangeiros que visitam São Paulo são vegetarianos, a Associação Brasileira de Agencias de Viagens (ABAV/SP) e a Associação de Bares e Restaurantes Diferenciados do Estado (ABREDI/SP) foram pioneiras no apoio à iniciativa. Independentemente de freqüentar restaurantes a fim de lazer, há pessoas que precisam almoçar ou jantar fora de casa por causa do trabalho ou dos estudos. É o caso de Dimitri, que come em restaurantes vegetarianos uma vez por semana, nos meses em que está estudando. "Sempre pergunto nos restaurantes quais pratos do cardápio são vegans. Poucos respondem satisfatoriamente", diz. "Mas, agora, muitas casas colocarão o selo", comemora. Pesquisa científica Em recente pesquisa científica sobre a influência da alimentação vegetariana na prevenção de doenças cardiovasculares, realizada no ano passado na capital paulista, 136 voluntários (entre onívoros e vegetarianos) foram examinados por cardiologistas e nutricionistas que analisaram a relação entre este tipo de alimentação e as doenças cardiovasculares. Os resultados demonstram que os adeptos da dieta vegetariana apresentam menor risco de desenvolver doenças do coração.
A nutriVeg, empresa de consultoria em nutrição vegetariana, está sediada em São Paulo. Ela é a única especializada neste segmento no País. Ela é dirigida pelo nutricionista Dr George Guimarães, que atua em pesquisa científica e no aconselhamento de pacientes vegetarianos, além de ministrar cursos e palestras em universidades e para o público em geral.
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