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Vegetarianismo X Ciência
O vegetarianismo e a ciência vêm andado separados há
muito tempo. Há entre os dois uma barreira que, se rompida, pode
trazer muitos benefícios para ambos.
Em primeiro lugar, vejamos onde estiveram a ciência e o vegetarianismo
nos últimos tempos. Eu falo da ciência como sendo aquela
nobre arte de descobrir e validar a verdade onde quer que ela se encontre
e onde quer que ela nos leve. Eu não falo da forma em que ela muitas
vezes se apresenta, a instituição que procura preservar-se
a qualquer custo, mesmo que isto signifique ignorar seus princípios
básicos, dos quais faz parte o compromisso com a verdade.
É um fato que a maioria das pessoas na comunidade científica
fazem uma expressão de desinteresse e repúdio quando a palavra
"vegetarianismo" aparece em sua frente. Verdade também
é que os vegetarianos não se sentem muito confortáveis
quando a "ciência" vem investigar seus hábitos.
Assistindo a este quadro, a ciência (do segundo tipo) diria que
não há interesse em investigar tamanho absurdo e que o vegetarianismo
não simpatiza com sua presença porque ele está fundamentado
em princípios filosóficos e não científicos.
O vegetarianismo, ao mesmo tempo, diria que a ciência não
lhe é pertinente porque ele já possui todo o conhecimento
de que necessita e que a ciência nunca poderia compreender seus
princípios. Parece que há muito a ser investigado e compreendido
por ambos os lados.
Identificando As Barreiras
A "Ciência", em sua forma mais comumente vista, parece
concentrar-se em descobrir poções mágicas para curar
doenças, ao invés de investigar como a natureza por si própria
oferece meios para prevenir estas mesmas. Trata-se de desafiar e tentar
controlar a natureza ao invés de compreendê-la. Trata-se
de descobrir um novo gene supostamente responsável por uma nova
doença, ou ainda outra substância química supostamente
capaz de atacar e destruir o tecido doente.
O resultado é o acúmulo de uma grande quantidade de informações
que não têm valor até que sejam colocadas em uma perspectiva
mais ampla e abrangente e é nesta última etapa que a ciência
falha. A compreensão do quadro geral é trocada pela venda
de "curas instantâneas" que advêm da proposta de
que a humanidade possui a suprema habilidade de conquistar e controlar
a natureza.
O vegetarianismo, por outro lado, possui esta visão mais ampla.
Porém, é baseado em diferentes princípios filosóficos
e é por este motivo muitas vezes tido como empírico pela
ciência racionalista. Para muitos vegetarianos, a verdade só
é reconhecível quando apresentada da forma já conhecida,
tendo o absolutismo como a principal forma de pensar.
O principal problema com ambos os lados é que suas atitudes são
excessivamente dogmáticas. Ambos buscam estarem certos, ignorando
completamente o ponto de vista do outro. É esta barreira que acaba
por nos privar de valiosos conhecimentos.
O
Próximo Passo
Se
a ciência passar a reconhecer e compreender o conceito do vegetarianismo
todos se beneficiarão. Alguns cientistas (do primeiro tipo) já
vêm há algum tempo conduzindo estudos que nos trazem uma
enorme quantidade de evidências que suportam o valor do vegetarianismo
para a saúde. Trata-se apenas de sintetizar estas evidências
e reconhecer o novo horizonte que se abre para o mundo da saúde.
Os motivos filosóficos que levaram alguns vegetarianos a adotarem
seus hábitos não devem ser necessariamente relevantes, pois
a evidência continua existindo.
Para
que esta relação entre a ciência e o vegetarianismo
possa existir deve-se ainda responder às seguintes perguntas: Será
que as pessoas estão dispostas a investigar hipóteses que
contrariam suas preferências pessoais de alimentação
e estilo de vida? Será que as pessoas evitam refletir sobre idéias
que não suportam suas opiniões e hábitos pessoais?
Uma
vez dada uma chance de se conhecerem os fatos científicos que suportam
uma dieta baseada exclusivamente em produtos de origem vegetal, tornam-se
claros os benefícios que se derivam de tais hábitos alimentares.
Mas
ainda há muitos detalhes a serem investigados. A ciência
deve estar com a mente aberta para entender o vegetarianismo. Isto quer
dizer estar disposta a estudar as diversas maneiras pelas quais a nutrição
afeta nosso metabolismo, nossa resistência às agressões
externas e nossa saúde mental e espiritual. Estas são questões
complexas que têm no vegetarianismo muitas de suas respostas.
Não
é aceitável que se fique preso a conhecimentos antigos somente
porque estes estão ao nosso redor por mais tempo ou porque estes
satisfazem melhor nossas preferências pessoais. Parece sensato produzir
e tornar disponível um tipo de informação que traz
benefícios para a saúde de todos.
É
com esta vontade que está sendo divulgado o primeiro número
de Segunda Opinião, na esperança de que mais pessoas possam
melhor conhecer o vegetarianismo e esclarecer suas dúvidas sobre
sua complexa relação com a nutrição e saúde
humana.
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